O Banco de Brasília (BRB) estima que precisará aportar R$ 8,8 bilhões para se proteger de possíveis prejuízos gerados por operações com o Banco Master. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) pelo presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Segundo Souza, o valor corresponde ao montante que deverá ser “provisionado” ou “capitalizado” para garantir a saúde financeira do banco estatal do Distrito Federal e evitar risco de insolvência. A necessidade surgiu após auditoria interna identificar que, dos R$ 30 bilhões em títulos adquiridos do Master, ao menos R$ 8,8 bilhões podem não ser recuperados. Dentro desse total, R$ 2,6 bilhões não têm qualquer lastro, ou seja, não há garantias reais de ressarcimento.
Estratégia de socorro
Para cobrir o déficit, o Governo do Distrito Federal (GDF) — detentor de 53,7% das ações do BRB — encaminhou projeto de lei à Câmara Legislativa que autoriza a contratação de empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio.
Consequências para o sistema financeiro
Souza declarou que a aprovação do projeto de lei é “fundamental” para a sobrevivência da instituição. Ele admitiu que, no momento, o BRB representa “o maior problema” do sistema financeiro nacional, mas ressaltou que o banco segue operando normalmente e está mais saudável do que em novembro, quando assumiu a presidência.
O dirigente alertou que uma eventual liquidação do BRB teria repercussões além do Distrito Federal. A instituição administra aproximadamente R$ 30 bilhões em depósitos judiciais provenientes dos tribunais de justiça de Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e do DF. Além disso, responde por cerca de 64% do crédito imobiliário da capital federal, com carteira próxima de R$ 15 bilhões.

“Se o BRB desaparecer, for liquidado ou submetido a regime de administração extraordinária temporária, será um problema não só para Brasília, mas para todas as regiões onde atuamos”, afirmou. Mesmo diante do risco, Souza garantiu que o banco “nunca deixou de cumprir uma obrigação” e dispõe de condições estruturais para prosseguir suas operações, desde que o reforço de capital de R$ 8,8 bilhões seja viabilizado.
Com informações de Agência Brasil