O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, deve ser tratada pelas autoridades policiais. A declaração ocorreu durante visita de Lula à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Camaçari, região metropolitana de Salvador.
Ao ser questionado por uma repórter sobre o tema, Lula respondeu de forma sucinta: “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia.”
Reportagem revelou áudio e repasses de R$ 134 milhões
O escândalo veio à tona no dia anterior, 13 de maio, em reportagem do portal The Intercept Brasil. O material divulgou um áudio no qual Flávio Bolsonaro discute com Vorcaro a transferência de R$ 134 milhões que, segundo a publicação, seriam destinados ao financiamento de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, no cargo entre 2019 e 2022.
Além do áudio, mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários indicam que parte dos pagamentos teria ocorrido entre fevereiro e maio de 2025. A produção cinematográfica estaria sendo conduzida por uma empresa no exterior, utilizando atores e equipes estrangeiras, com lançamento previsto ainda para este ano.
Banco Master teve liquidação decretada e Vorcaro foi preso
Daniel Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema criminoso que praticava fraudes financeiras por meio do Banco Master. A instituição teve a liquidação decretada pelo Banco Central no fim de 2025, após comprovação de incapacidade para honrar depósitos e aplicações de clientes. Poucos dias depois, Vorcaro foi detido em Guarulhos (SP) na sequência da operação que investiga o grupo.
Detido na Superintendência da PF em Brasília, o ex-banqueiro negocia acordo de delação premiada. A Polícia Federal afirma que o pai de Vorcaro chefiava uma milícia particular, conhecida como “A Turma”, responsável por atividades de intimidação e lavagem de dinheiro.
Posicionamento de Flávio Bolsonaro
Após a divulgação da matéria, Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado recursos a Vorcaro, mas negou qualquer ilegalidade. O senador afirmou que o patrocínio seria privado, sem uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet, e que existiria um contrato prevendo os repasses. Ele declarou não ter oferecido vantagens em troca, nem intermediado negócios com o governo.

“É preciso separar inocentes de bandidos. No nosso caso, um filho buscou patrocínio privado para um filme privado”, disse. Nas redes sociais, Flávio reiterou o pedido por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as operações do Banco Master.
Parlamentares da base governista protocolaram denúncia junto à Polícia Federal e à Receita Federal para investigar se as transferências apontadas configuram crime ou envolvem pagamento de propina.
Com a declaração de Lula e a admissão do senador quanto aos contatos com Vorcaro, o episódio deve permanecer no centro das discussões políticas e jurídicas nas próximas semanas.
Com informações de Agência Brasil