O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu neste sábado, 23 de maio de 2026, que o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, concentre seus esforços na captura de “ladrões e milicianos” que, segundo ele, influenciaram a administração fluminense nos últimos anos. A cobrança foi feita durante a inauguração das novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na capital fluminense.
Lula afirmou que a população não espera grandes obras do atual chefe do Executivo estadual, mas sim providências concretas contra grupos criminosos. O presidente ressaltou que o Rio de Janeiro, um dos destinos brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, não pode continuar associado ao domínio do crime organizado e de facções armadas sobre comunidades locais.
O chefe do Executivo federal garantiu apoio do governo central a Couto e reiterou que aguarda a votação, no Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, conhecida como PEC da Segurança Pública. A matéria, já aprovada na Câmara dos Deputados, abrirá caminho para a recriação do Ministério da Segurança Pública, pasta extinta em 2019. Segundo Lula, a redefinição das atribuições da União na área é essencial, pois a Constituição de 1988 limita a atuação federal no tema.
Durante o discurso, o presidente aconselhou Couto a aproveitar o período em que permanecerá no Palácio Guanabara — estimado por ele em “seis ou dez meses” — para ajudar a “consertar” o estado. Sem citar nomes, Lula disse que deputados ligados a milícias também precisam ser responsabilizados.
Ricardo Couto está no comando interino do governo estadual desde abril. Na ocasião, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve o magistrado na função até que a Corte delibere sobre a realização de uma eleição suplementar para mandato-tampão.

Além do apelo ao governador, Lula voltou a mencionar conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que a PEC da Segurança Pública entre na pauta de votações. “Definir o papel federal é determinante para enfrentar a criminalidade”, afirmou, ao lembrar que a estrutura atual deixa governadores “reféns” das próprias forças policiais.
No evento na Fiocruz, também foram entregues 42 veículos destinados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e ao programa estadual Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. As novas dependências do CDTS abrigarão, entre outros projetos, um centro de produção de terapias celulares CAR-T.
Com informações de Agência Brasil