Lula divulgou a informação ao chegar à Cidade do Panamá, onde participa, como convidado especial, do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, marcado para esta quarta-feira (28). Segundo o chefe do Executivo brasileiro, a reunião pretende reforçar a interlocução entre os dois países.
“Estados Unidos e Brasil são as duas principais democracias do Ocidente, por isso considero essencial que dois chefes de Estado conversem pessoalmente para tratar das relações bilaterais”, declarou o presidente, acrescentando que a audiência está agendada para a primeira quinzena de março.
Telefonema na véspera
Na segunda-feira (26), Lula e Trump mantiveram conversa telefônica na qual trataram de diversos temas da agenda internacional e regional. De acordo com nota do Palácio do Planalto, o diálogo incluiu a situação política na Venezuela, o plano de paz para a Faixa de Gaza e ações conjuntas de enfrentamento ao crime organizado. O presidente brasileiro afirmou estar confiante de que “a normalidade internacional será restabelecida em breve” e defendeu o fortalecimento do multilateralismo como caminho para a retomada do crescimento econômico.
Venezuela em pauta
Questionado por jornalistas sobre a crise venezuelana e a presença militar dos Estados Unidos no Caribe, Lula relatou ter conversado duas vezes, logo após a recente intervenção norte-americana em Caracas, com a presidente interina Delcy Rodríguez. O líder brasileiro disse que pretende voltar a falar com Rodríguez, que sucedeu Nicolás Maduro, a fim de acompanhar a evolução do quadro interno.
Ele ressaltou que cabe ao povo venezuelano decidir seu futuro, mas defendeu que Washington permita ao país vizinho preservar sua soberania. “Espero que a presidente Delcy consiga conduzir o processo. Precisamos ter paciência; a solução para a Venezuela virá de seus próprios cidadãos”, observou.
Articulação com outros líderes
Lula ainda destacou contatos recentes com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o chileno Gabriel Boric, além de novas tratativas previstas com Donald Trump. Ele informou que vem buscando apoio de diferentes governos para fortalecer mecanismos multilaterais de cooperação.
A agenda completa da viagem de março aos Estados Unidos ainda será divulgada pelo Itamaraty. Entretanto, além da reunião na Casa Branca, são esperados encontros com representantes do Congresso norte-americano e com setores empresariais interessados em ampliar investimentos no Brasil.
Com o compromisso em Washington, Lula encerra a primeira etapa de uma série de deslocamentos internacionais previstos para o primeiro semestre, que incluem visitas à Europa e à África com o objetivo de atrair parcerias e recursos para projetos de infraestrutura e sustentabilidade.
Com informações de Agência Brasil