A Petrobras voltou a produzir fertilizantes na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, marcando o retorno da estatal ao segmento sete anos depois de ter deixado o setor. A unidade, visitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, retomou a fabricação de amônia em dezembro de 2025 e iniciou a produção de ureia em janeiro de 2026.
Histórico da fábrica
As Fafens de Sergipe e da Bahia foram fechadas em março de 2018, quando a Petrobras anunciou um amplo programa de desinvestimentos. Em janeiro de 2019, ambas as plantas foram hibernadas e, no ano seguinte, arrendadas ao grupo privado Unigel. A empresa operou as unidades até 2023, mas suspendeu as atividades alegando inviabilidade econômica causada pelo preço do gás natural. Em 2025, após acordo com a Unigel, a Petrobras reassumiu o controle das fábricas.
Capacidade e geração de empregos
Com investimentos que já somam cerca de R$ 60 milhões por meio do Novo PAC, a Fafen-SE tem capacidade para produzir 1.800 toneladas diárias de ureia, volume equivalente a aproximadamente 7% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados. A retomada garante 530 empregos diretos e cerca de 1.500 vagas indiretas na região.
Queda no preço do gás viabilizou operação
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a ampliação da oferta de gás natural foi determinante para tornar as plantas economicamente viáveis. Segundo ela, o aumento da disponibilidade do insumo, de “R$ 29 milhões para R$ 52 milhões” (unidade de referência usada internamente pela companhia), contribuiu para a redução de custos e possibilitou a reativação da cadeia de fertilizantes. Chambriard afirmou ainda que a estatal trabalha em estudos para que, até o fim do quinquênio, o Brasil produza entre 70% e 75% dos fertilizantes nitrogenados consumidos no país, avançando em direção à autossuficiência.
Retomada mais ampla no Nordeste
A reativação da Fafen-SE faz parte de um movimento maior de retorno da Petrobras aos investimentos no Nordeste, região que sofreu com vendas de ativos e hibernações nos últimos anos. A partir de 2023, a companhia passou a rever sua estratégia. Em 2026, além da fábrica de fertilizantes, a estatal consolidou a retomada com o descomissionamento de plataformas marítimas em águas rasas e o desenvolvimento do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP).
Projetos SEAP I e II somam R$ 60 bilhões
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, em abril de 2026, a Decisão Final de Investimento (FID) do SEAP I, localizado na Bacia Sergipe-Alagoas. O SEAP II já tinha recebido aval em dezembro de 2025. Juntos, os planos totalizam R$ 60 bilhões e preveem 32 poços ligados a duas plataformas, além de um gasoduto de 134 km — 111 km sob o mar e 23 km em terra. A estimativa é iniciar a produção de óleo em 2030 e começar a exportar gás em 2031. O projeto deve quase dobrar a participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural, de 16% para 31% até 2035, e gerar R$ 33 bilhões em participações governamentais ao longo de duas décadas.

Contratações e logística
A licitação para fornecimento de Árvores de Natal Molhadas (ANMs) e equipamentos submarinos está em curso. Outros processos para aquisição de infraestrutura devem começar ainda em 2026. No apoio logístico, o Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB) ganhou um novo berço exclusivo para operações da Petrobras, reforçando sua relevância tanto para a instalação quanto para o descomissionamento de unidades offshore.
Descomissionamento em andamento
Em Sergipe, a Petrobras também conduz o descomissionamento de 26 plataformas de águas rasas, trabalho iniciado no fim de 2025. O processo inclui o tamponamento de 169 poços e a retirada de estruturas, mobilizando R$ 12,5 bilhões até 2035 e gerando aproximadamente 950 empregos diretos, além de estimular a cadeia de suprimentos local.
Com a retomada da Fafen-SE, a Petrobras reforça a estratégia de reduzir a dependência externa de fertilizantes, ao mesmo tempo em que amplia investimentos em exploração, produção e infraestrutura de gás natural no Nordeste.