A Universidade Federal de Sergipe (UFS) passou a integrar o projeto “Regiões: Histórias das Desigualdades Sociais no Brasil”, iniciativa vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) que pretende rastrear, em documentos dos últimos quatro séculos, como se formaram as disparidades socioeconômicas no país.
Coordenada nacionalmente pelo professor João Fragoso, do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a proposta foi submetida à Chamada CNPq/SECTICS/CAPES/FAPs nº 46/2024, destinada ao Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. O objetivo central é articular pesquisadores de diversos estados em uma rede capaz de comparar processos históricos de desigualdade nas diferentes regiões brasileiras.
Atuação no Nordeste
No Nordeste, a participação da UFS ocorre por meio da coordenação da professora Edna Maria Matos Antônio e da vice-coordenação do professor Carlos de Oliveiras Malaquias, ambos do Departamento de História (DHI/UFS). Também compõem o núcleo regional a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Coleta e digitalização de acervos
O trabalho de campo prevê localizar, digitalizar e transformar em bancos de dados uma série de registros históricos capazes de revelar dinâmicas demográficas, econômicas e sociais desde o período colonial. Entre os materiais listados estão rôis de confessados, registros de sesmarias, mapas populacionais da colonização portuguesa, fichas paroquiais de terras, inquéritos provinciais do Império e da República, além de livros dos Ofícios de Notas.
Com o auxílio de recursos computacionais, todo o material será organizado em bases públicas acessíveis pela internet. A expectativa é constituir uma malha de arquivos regionais integrados nacionalmente, permitindo traçar conexões históricas entre movimentos migratórios, circuitos comerciais e desigualdades sociais.

Metodologia e alcance
Segundo os organizadores, a pesquisa adota uma abordagem holística e relacional, examinando a construção das desigualdades e seu entrelaçamento nos diferentes territórios brasileiros. Ao final, os pesquisadores pretendem oferecer um panorama robusto dos processos sociais, econômicos e demográficos que moldaram a formação do Brasil, contribuindo para futuras análises acadêmicas e políticas públicas.
O projeto permanece em fase de estruturação das equipes e captação de acervos, mas a expectativa é que os primeiros conjuntos de dados estejam disponíveis ao público assim que a digitalização avançar. A plataforma on-line deve reunir documentos de todas as regiões, facilitando consultas e comparações históricas em larga escala.