O diretor técnico do Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento de Sergipe (Sindisan) Joe Igor descartou, nesta terça-feira (28), a hipótese de sabotagem levantada pela Iguá Saneamento para justificar a falta d’água que atingiu a zona de expansão de Aracaju. Em entrevista ao Mega Jornal, o diretor de comunicação da entidade, Joe Igor, afirmou que a quebra de um registro da rede pode ter sido causada por desgaste natural ou mau uso por parte da própria concessionária.
“A gente apurou que se tratava de uma caixa de visita onde havia dois registros que abasteciam um reservatório chamado R5, responsável por abastecer a zona de expansão e adjacências. O registro que sofreu esse suposto vandalismo recebe água do sistema Cabrita e representa algo em torno de 20% a 25% da água que chega a esse reservatório”, explicou.
Segundo o dirigente, quase 80% da água do R5 vem de outra adutora, ligada ao sistema que capta água do Rio São Francisco. “Se fosse para prejudicar o abastecimento, alguém com conhecimento teria ido na rede maior. A rede menor pode ter quebrado tanto por vibração como por mau uso”, argumentou.
Funcionário teria pedido ajuda
Joe Igor revelou ainda que o sindicato recebeu informações de empregados da Deso, antiga operadora do sistema de que um funcionário terceirizado da Iguá, que antes trabalhava na estatal, fez uma intervenção no registro e, ao perceber a quebra, buscou ajuda de antigos colegas. O sindicato não divulgou nomes sob a justificativa de que os trabalhadores temem represálias.
“Não dá para afirmar que essa situação foi criada para justificar o injustificável. A gente trabalha com duas hipóteses: o registro era muito antigo e poderia quebrar só pela vibração e pelo uso contínuo, ou tentaram fechar e aceleraram a quebra. O que a gente descarta é vandalismo”, afirmou.
Crítica ao governo
O sindicalista também criticou a postura do governo estadual diante da crise. “Está estranha essa relação. Quando acontecia algo parecido com a Deso, a gente não via nenhuma postura do governo em defender a empresa e seus empregados. Parece que estão tentando fazer uso político de uma coisa que não cabe”, disse.
Segundo Joe Igor, a Iguá desfez o balanceamento da rede que a Deso levou mais de 40 anos para ajustar e reduziu o período de operação assistida por pressa em começar a arrecadar o que, na avaliação do sindicato, comprometeu a capacidade técnica de resposta da concessionária.