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Sergipe

II Fórum Estadual reúne gestoras para fortalecer rede de proteção às mulheres em Sergipe

De
Redação Mega FM
Publicado 25/03/2026
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O Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), realizou, nesta quarta-feira, 25, o II Fórum Estadual de Gestoras de Políticas para as Mulheres. O evento reuniu representantes municipais, especialistas e integrantes da rede de proteção para discutir estratégias de fortalecimento das políticas voltadas às mulheres no estado.

O fórum tem como objetivo ampliar a articulação entre Estado e municípios, promover a troca de experiências e construir estratégias integradas de enfrentamento à violência de gênero, além de fortalecer os Organismos de Políticas para as Mulheres (OPMs) nos territórios sergipanos.

Durante a abertura, a secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, destacou a importância do encontro como espaço de construção coletiva e fortalecimento institucional. Segundo ela, o fórum é essencial para integrar os municípios e ampliar a efetividade das ações. “Reunimos gestoras de municípios sergipanos onde já existem organismos de políticas para as mulheres. A ideia é que possamos, juntas, pensar no enfrentamento dessa violência e, mais do que isso, construir políticas públicas que enxerguem a mulher em sua integralidade”, afirmou.

A secretária também reforçou o papel estratégico dos municípios. “É nos municípios que as mulheres vivem. Por isso, precisamos sensibilizar os poderes Legislativo e Executivo para fortalecer essa pauta. Também queremos estimular a criação desses organismos onde ainda não existem e identificar falhas na rede para aprimorar a atuação”, completou.

Programação

A programação teve início com o primeiro painel, que abordou as políticas estaduais de proteção às mulheres. Participaram a secretária Georlize Teles e a diretora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos da Mulher do Ministério Público de Sergipe, Verônica Lazar.

Durante sua participação, Verônica destacou a urgência do enfrentamento à violência de gênero, citando dados recentes no estado. “De domingo até hoje, Sergipe registrou quatro feminicídios consumados, além de um caso tentado. Essa é uma pauta que precisa ser tratada com prioridade. O enfrentamento à violência exige mudança cultural e investimento contínuo. Trata-se de uma construção histórica baseada no patriarcado, que não se desconstrói rapidamente. Precisamos investir em educação, prevenção e no engajamento dos gestores públicos”, apontou. 

Na sequência, o segundo painel tratou da saúde mental das mulheres sergipanas, com a professora e pesquisadora Marília Meneghetti Bruhn. Ela apresentou reflexões sobre os impactos da violência, da sobrecarga de trabalho e das desigualdades sociais na vida das mulheres.

A especialista destacou a importância de analisar a saúde mental a partir de uma perspectiva de gênero, considerando diferentes realidades, tanto em Sergipe quanto em outros estados, como Rio Grande do Sul e São Paulo. Segundo ela, a saúde mental feminina está diretamente ligada a três fatores centrais: sobrecarga, desigualdades sociais e violência. Ela também ressaltou a necessidade de considerar marcadores como classe social, raça, identidade de gênero e condições de vida. “Ainda há uma tendência de tratar a saúde mental de forma generalizada, sem levar em conta as especificidades das mulheres”, frisou.

A programação seguiu no período da tarde com o terceiro painel, conduzido pelo delegado do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) de Itabaiana, Gabriel Moritz Sá, que abordou a violência contra a mulher e o feminicídio em Sergipe também sob a perspectiva do agressor.

Segundo o delegado, o debate inclui a análise de dados recentes e fatores que contribuem para a violência de gênero. “Analisamos estatísticas de 2025 e de anos anteriores, além de discutir não apenas o homem agressor, mas, também, o papel dos homens no combate à violência. Compreender o perfil do agressor é fundamental. É preciso mudar a lógica da pergunta: não apenas como proteger a mulher, mas entender o que leva o agressor a cometer esse tipo de crime. Estudar esse cenário é essencial para um enfrentamento mais eficaz”, declarou.

Gabriel ressaltou, ainda, que o feminicídio é um crime evitável, mas profundamente ligado a fatores estruturais. “É um fenômeno social associado ao machismo estrutural. Precisamos combater isso desde a base, nas escolas e, também, trabalhar com homens adultos, inclusive aqueles que já cometeram violência”, salientou.

O evento contou, também, com a apresentação de experiências exitosas desenvolvidas em municípios sergipanos. A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Estância, Guadalupe Batista, apresentou iniciativas de grupos terapêuticos voltados às mulheres. Já a coordenadora de Políticas para as Mulheres de Riachão do Dantas, Jane Dória, compartilhou ações de prevenção à violência.

Também participou do debate a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Edlaine Sena, que destacou a necessidade de ampliar a estrutura das políticas públicas nos municípios. De acordo com ela, apenas 44 cidades possuem organismos voltados à pauta, o que evidencia a necessidade de expansão. “É fundamental que todos os municípios tenham estruturas como coordenadorias ou secretarias. Sem financiamento, não há como desenvolver políticas públicas efetivas”, ressaltou.

Fortalecimento das políticas públicas

Gestoras municipais também destacaram a importância do fórum como espaço de troca de experiências e construção coletiva. A coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres de Pacatuba, Daisy de Carvalho, explicou que o trabalho nos municípios envolve articulação entre diferentes áreas. “Articulamos com educação, saúde, assistência social, além de comunidades quilombolas, indígenas e colônias de pescadores. É um trabalho integrado para prevenir a violência e o feminicídio”, afirmou.

A secretária de Políticas para as Mulheres de Pedra Mole, Anny Martins, ressaltou a urgência do enfrentamento à violência. “A situação é urgente e exige medidas mais efetivas e concretas. Casos recentes de feminicídio reforçam essa necessidade. O trabalho no município envolve tanto a garantia de direitos quanto ações de reeducação dos agressores. Atuamos na garantia dos direitos das mulheres e, também, na reeducação desses homens, por meio de grupos reflexivos, para evitar a reincidência”, enfatizou. 
 

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