Com a elevação dos casos de síndromes respiratórias entre crianças, Sergipe iniciou a ampliação temporária de leitos de UTI pediátrica na rede hospitalar. A medida ocorre em meio ao período sazonal, quando vírus como influenza, Covid-19 e VSR circulam com maior intensidade.
Em entrevista à Rádio Mega FM, a porta-voz da Secretaria de Estado da Saúde, Cristina Rochadel, explicou que o cenário já era esperado. “Estamos num período em que muitas crianças adoecem, e isso se repete todos os anos”, afirmou. Segundo ela, há preocupação crescente de pais e responsáveis diante do aumento das buscas por atendimento.
Cristina detalhou que um chamamento público abriu espaço para 30 novos leitos pediátricos, dos quais 25 já passaram para a fase de vistoria técnica. “Não é só liberar o espaço. A equipe médica também precisa estar completa, porque UTI exige estrutura e profissionais disponíveis 24 horas”, disse.
De acordo com a porta-voz, 10 leitos em Estância devem começar a funcionar já na próxima semana. Ela destacou que, nos últimos dois anos, houve ampliação significativa na capacidade de atendimento infantil no interior. Em Estância, por exemplo, o número de leitos específicos para crianças saltou de três para dezoito, somando observação, enfermaria e poltronas de medicação.
Vacinação muito abaixo do ideal
Cristina chamou atenção para a baixa cobertura vacinal contra influenza e outros vírus respiratórios. “Estamos com 50% a 53% de cobertura, quando o mínimo para proteger a população seria 90%”, alertou. Ela reforçou que, apesar de a vacina não impedir infecções, reduz drasticamente casos graves: “A UTI deveria ser a última opção, não a primeira linha de defesa.”
Também está disponível a nova vacina destinada a gestantes, que protege bebês contra o VSR — um dos principais causadores de bronquiolite.
Primeiro atendimento deve ser na unidade básica
A porta-voz criticou a procura imediata por hospitais em casos leves. Segundo ela, essa conduta contribui para a superlotação e pode expor crianças a novos vírus. “Muita mãe leva direto para o hospital, mas a unidade básica é o lugar certo para o primeiro atendimento”, orientou.
Cristina afirmou que hospitais devem ser reservados para quadros graves, como falta de ar e dificuldade respiratória.
Avanço de serviços e desmentidos sobre boatos
A entrevista também abordou informações falsas sobre o funcionamento de UTIs no interior. “Circulou que os leitos de Glória não funcionam. É mentira. Hoje temos sete pacientes internados lá”, disse.
Ela ainda citou avanços na rede hospitalar, como novos tomógrafos no USI, ampliação de serviços de imagem no interior e obras em andamento nos regionais de Lagarto e Itabaiana.
Sergipe lidera cirurgias de alta complexidade em programa público
Cristina antecipou dados que devem ser divulgados oficialmente nos próximos dias: Sergipe lidera, proporcionalmente, o número de cirurgias bariátricas e de redução de mama realizadas pelo programa Opera Sergipe. O programa já ultrapassa 60 mil procedimentos e terá nova etapa em Itabaiana nesta sexta-feira.
Ao final da entrevista, Cristina reforçou que a população deve buscar informações confiáveis e atenção aos sinais de agravamento em crianças. “A pandemia ensinou muito, mas ainda precisamos reforçar que informação correta salva vidas”, concluiu.
Foto: Governo de Sergipe