O jornalista Daniel Resende, do portal Política de Fato, denunciou nesta quarta-feira (1º) que está sendo alvo de um processo movido pelo deputado federal Rodrigo Valadares e pela vereadora Moana, e classificou a ação como uma ameaça à liberdade de expressão e de imprensa em Sergipe. Segundo Resende, a matéria publicada pelo portal trata exclusivamente de um questionamento de interesse público sobre o domicílio eleitoral da parlamentar — e não sobre a vida pessoal do casal.
“É preciso deixar claro para muita gente que tem perguntado: essa matéria nada fala sobre vida pessoal. O que mostramos foi que, em um processo movido por Rodrigo e Moana contra uma cidadã, eles afirmam residir na Barra dos Coqueiros. Mas Moana foi eleita vereadora por Aracaju, e a lei orgânica é clara: o vereador precisa residir no município”, afirmou o jornalista.
Daniel Resende destacou que a reportagem apenas repercutiu uma denúncia que, segundo ele, deve ser investigada pelos vereadores e pela Justiça. “Em nenhum momento houve ataque à honra ou questão pessoal. Foi matéria fundamentada, com interesse público evidente”, completou.
Para o jornalista, o processo movido pelo casal causa “estranheza” e demonstra potencial de violar direitos constitucionais. “Esse processo tem um viés intimidatório, de cerceamento à liberdade de expressão. É perigoso para o jornalismo de Sergipe”, alertou.
Apesar da ação judicial, Daniel Resende afirmou que está tranquilo e fará sua defesa até o fim. “Tenho muita tranquilidade. Vou responder com naturalidade, com amparo jurídico, mas especialmente irei até o final em nome da liberdade de expressão”, disse. Ele agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas. “Agradeço aos colegas, ao Sindijor, ao Fato Sergipe e tantos outros que já se solidarizaram.”
O jornalista reforçou que o que está em jogo “não é apenas a liberdade de imprensa”, mas o direito da população de ter acesso à informação qualificada e transparente sobre agentes públicos. “O cidadão precisa ter acesso à verdade sobre quem é eleito com seu voto e pago com dinheiro público. Por isso não vamos recuar.”
Foto: arquivo pessoal