O chefe da Divisão de Zoonoses do município de Capela, Paulo Henrique, alertou para a necessidade de atenção redobrada da população com a chegada do período chuvoso. Em entrevista ao programa Mega FM, o gestor destacou que as chuvas favorecem tanto a proliferação do mosquito da dengue quanto o aparecimento de escorpiões. “Com a chegada das chuvas, a gente precisa ficar muito atento ao mosquito da dengue e também ao aumento da presença de escorpiões, que tem sido registrado não só em Capela, mas em toda a região Nordeste”, afirmou.
Segundo ele, as equipes de combate às endemias realizam visitas diárias nas comunidades para orientar os moradores e eliminar possíveis focos do mosquito Aedes aegypti. Paulo Henrique ressaltou que a falta de informação já não é o principal problema. “Hoje temos meios de comunicação e agentes visitando as casas periodicamente. Muitas vezes não é falta de informação, mas descuido mesmo”, disse. Ele explicou que recipientes com água parada, pneus, vasos e objetos acumulados nos quintais podem servir como criadouros do mosquito, afetando toda a comunidade.
O coordenador também destacou ações realizadas recentemente pelo município para reduzir esses riscos. Uma das iniciativas foi uma operação de retirada de entulhos em áreas residenciais. “Conseguimos remover uma caçamba de materiais que poderiam servir de criadouro para o mosquito ou abrigo para escorpiões”, relatou.
Outro desafio apontado pelo gestor é a resistência de alguns moradores em permitir a entrada dos agentes de endemias nas residências. Apesar disso, ele afirma que grande parte da população colabora com o trabalho das equipes. “Tem muita gente consciente que abre as portas e mantém o quintal limpo, mas ainda existem casos de resistência. O agente não leva problema, ele leva orientação e ajuda a eliminar riscos”, destacou.
Paulo Henrique também explicou que o aumento da presença de escorpiões neste período está relacionado às condições climáticas. “Quando chove, o local onde o escorpião está alojado pode ficar encharcado e ele procura outro ambiente, muitas vezes dentro das casas”, explicou. Ele acrescentou que a espécie mais comum na região é o escorpião amarelo do Nordeste, que pode se reproduzir até três vezes por ano, com cerca de 20 filhotes por ciclo.
Para reduzir o risco, o gestor orienta cuidados simples no dia a dia. “É importante manter o ambiente limpo, evitar acúmulo de entulhos e controlar insetos como a barata, que é o principal alimento do escorpião”, disse. Ele também alertou para a necessidade de verificar roupas e calçados antes de utilizá-los. “Sempre bata o sapato ou a roupa antes de vestir. Se o escorpião estiver ali, ele pode picar como forma de defesa”, afirmou.
O chefe da zoonoses também lembrou que alguns animais atuam como predadores naturais desses animais peçonhentos. “O sapo e o gambá são predadores naturais de escorpiões e cobras. Muitas vezes as pessoas tentam matar esses animais, mas eles ajudam no controle dessas espécies”, explicou.
Durante a entrevista, Paulo Henrique ainda comentou sobre as ações de controle de animais no município. De acordo com ele, a prefeitura realiza campanhas de vacinação antirrábica e acompanha casos de animais doentes nas ruas. “Quando identificamos algum animal com problema de saúde, fazemos a visita e, se necessário, a remoção”, disse.
Por fim, ele pediu mais consciência da população no cuidado com os animais abandonados. “Eles não escolheram estar na rua. Muitas vezes foram abandonados por pessoas irresponsáveis. Por isso, pedimos respeito e cuidado com esses animais”, concluiu.
Foto: Governo do