A sessão da CPMI que investiga supostas irregularidades no INSS foi marcada por tumulto, bate-boca e acusações de fraude na contagem dos votos. Após a proclamação do resultado, parlamentares da base governista questionaram a forma de votação e a conferência do quórum.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a votação em bloco foi solicitada pelo próprio governo, com base no regimento, e que a verificação passou a considerar o painel eletrônico, que registrava 31 parlamentares presentes. “Contei duas vezes sete votos contrários, portanto a pauta de hoje está aprovada na integralidade”, declarou.
Na retomada da reunião, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou questão de ordem pedindo a anulação do resultado. “Solicito que anule o resultado por erro material da contagem. Vamos interpretar essa decisão como ação deliberada para fraudar o resultado”, afirmou.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) rebateu e defendeu a manutenção da votação. “Há 31 presentes. Se 14 votaram contra, permanecem 17 a favor. Não houve golpe”, declarou. Viana rejeitou a questão de ordem e explicou que, em votação simbólica, contam-se apenas os votos contrários.
Convocação de “Lulinha” e quebras de sigilo
O ponto de maior tensão foi a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A CPMI aprovou pedido ao Coaf para elaboração de Relatório de Inteligência Financeira (RIF), com solicitação de quebra de sigilos bancário e fiscal no período de 2022 a janeiro de 2026.
Também foram aprovadas quebras de sigilo do Banco Master (2015 a 2025) e da empresa CredCesta (abril de 2017 a dezembro de 2025), sob argumento de apuração de possíveis irregularidades no mercado de crédito consignado.
Prisão e novas convocações
A comissão ainda aprovou pedido de prisão preventiva de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, investigado por suposta atuação em descontos indevidos em benefícios do INSS.
Entre as convocações aprovadas está a do ex-deputado André Moura, citado em reportagens da imprensa sergipana como suspeito de auxiliar agentes envolvidos no esquema. O empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também foi convocado, assim como o ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.
Nos bastidores, o nome do senador Alessandro Vieira também circulou nas discussões, diante de questionamentos sobre articulações e requerimentos apresentados na comissão. O parlamentar nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação segue critérios técnicos e regimentais.
Com troca de acusações e decisões que ampliam o alcance da investigação, a CPMI do INSS entra em uma nova fase e deve seguir no centro do debate político nas próximas semanas.
Com informações e foto Agência Senado